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A confiabilidade das Escrituras

Por Marlon Vargas (DVG) "Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e...

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O Deus que vê toda história

 


Por Marlon Vargas (DVG)

"Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Digo: Meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada”. (Isaías 46.10)

Nós, por natureza, somos seres limitados, e essa limitação nos permite viver somente o presente, o aqui e agora. O que está a nossa frente é futuro e nada podemos fazer para antecipá-lo ou prevê-lo. Um segundo atrás já é passado e não tem como voltar no tempo, nem o modificar. Podemos voltar no espaço, por exemplo, visitar a escola que estudamos a primeira série, o ensino médio, a universidade e recordar aquele tempo. Mas jamais conseguiremos voltar no tempo.

O mesmo não acontece com Deus. Ele é o Eterno. Ele está presente em todos os lugares, isso se chama Onipresença, ou seja, seu ser está em todas as partes. Ninguém pode se esconder da presença de Deus (Salmos 139.7-11). Mas tem um lugar onde a presença de Deus se manifesta em todo seu esplendor: o céu.

O céu

A Bíblia nos dá a entender que o céu é dividido em três partes (2Coríntios 12.2): primeiro, segundo e terceiro céu. O primeiro é o céu imediato, ou céu atmosférico onde estão as nuvens no qual voam as “aves dos céus” (Jó 35.11); o segundo céu é o espaço exterior onde estão os astros, na Bíblia também chamado de “firmamento” (Gênesis 1.8,14); e o terceiro céu, é onde habita o Deus Triúno[1], também chamado de paraíso, lugar de bem-aventurança e de repouso entre a morte e ressurreição dos santos (cf. Lucas 16.22; 2Corintios 12.2). É para onde vai a alma dos salvos (2Coríntios 5.8; Filipenses 1.23; Lucas 23.43). É deste céu que descerá a “cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial”. Nesta cidade, estará o trono de Deus e do Cordeiro, habitação de uma multidão incontável de anjos, e nossos irmãos que já morreram e estão com Cristo, tanto os salvos da Nova Aliança, “a igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos no céu”, como os salvos do Antigo Testamento, “os espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hebreus 12.22-24). Em Deuteronômio 10.14, Deus declara que a Ele “pertencem os céus e até os mais altos céus”. É do céu que Deus exerce seu domínio sobre toda a criação.

Com um simples olhar

Com um só olhar Deus vê e acompanha todo 
o eixo do tempo. Deus está além do espaço/tempo
Deus não está limitado as nossas dimensões de espaço e tempo. Como Criador de todas as coisas (e isso inclui o espaço, o tempo e a matéria[2], ele não precisa estudar a história para conhecer o passado nem esperar as coisas acontecerem para saber do futuro. Ele vê tudo com um simples olhar. O escritor Werner Gitt nos ajuda a entender essa questão: “Deus é Espírito e, por ser Senhor da Criação, Ele não está limitado pelos fenômenos criados por Ele, de espaço e tempo. Deus vê e acompanha todo o eixo do tempo com um só olhar, por isso as diferentes épocas em nosso eixo do tempo não significam áreas continuas para Ele. Deus abrange 1000 anos com o mesmo olhar como se fosse um dia qualquer. Por isso, para Deus vale aquilo que, para nós, parece algo incompreensível: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi como a vigília da noite” (Sl 90.4)[3]”.

Deus é onisciente

Entre as perfeições de Deus, ou atributos (além da onipresença já citada), está a onisciência, o que significa que ele sabe tudo, todas as coisas reais e possíveis. A. W. Tozer escreveu a este respeito: “[...] Como Deus conhece todas as coisas perfeitamente, ele não conhece uma coisa melhor do que outra, mas a tudo igualmente bem. Ele nunca descobre nada, nunca se surpreende, nunca se assusta. Deus nunca imagina como será algo nem busca informações nem faz perguntas (exceto quando inquire os homens para o próprio bem deles)[4]”. Alguns versículos bíblicos confirmam esse conhecimento prévio:

― Deus conhece todas as suas obras desde o princípio (Isaías 41.26; 46.10; Atos 15.18);

― Deus conhece nossa história antes de nascermos (Jeremias 1.5; Salmos 139.16);

― Deus conhece a história e o que poderia ter acontecido sob certas circunstâncias. Exemplos: (1) Sodoma não seria destruída se os milagres de Cristo tivessem sido realizados nela; (2) As cidades de Tiro e Sidom teriam se arrependido com os milagres de Cristo (leia Mateus 11.20-24);

― Deus conhece a história e toma decisões segundo a sua vontade: (1) Ele age em todas as coisas para o nosso bem: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos[5]" (Romanos 8.28,29); (2) Ele age para preservação da vida: “Se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria” (Mateus 24.22a). Neste versículo, Jesus se refere a uma ação ocorrida na eternidade passada, em que Deus determinou a abreviação da Grande Tribulação a fim de evitar o extermínio da raça humana. Tomas Ice escreveu: “Jesus estava ensinado que Deus, no passado, já havia abreviado a Grande Tribulação. Ele disse isso no sentido de que, no passado, Deus tomou a decisão de interrompê-la quando chegasse determinado momento, em vez de deixar que a Grande Tribulação continuasse indefinidamente. Por Sua onisciência, Deus sabia que se a Grande Tribulação continuasse indefinidamente, toda carne pereceria na terra. Para evitar que isso acontecesse, Deus, no passado, estabeleceu um momento preciso para encerar a Grande Tribulação[6]”; (3) Ele age para a Redenção da humanidade. Deus viu a queda do homem antes da criação do mundo e que seria necessário Cristo redimir a humanidade:

"Deus conhece as suas obras desde o princípio"
“Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas corruptíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo[7], revelado nestes últimos tempos em favor de vocês” (1 Pedro 1.18-20), “Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo” (Apocalipse 13.8).

Deus no controle

Muitas pessoas podem achar que o mundo, no estado atual, está desgovernado, largado a própria sorte. Grande engano. Os textos que lemos acima nos mostram que Deus está no comando de tudo. Sempre esteve. A Bíblia afirma que Deus é o Criador e sustentador do universo (Atos 17.24-28), ele tem em suas mãos o desenrolar da história e vela pela sua palavra. A vida segue seu curso, nem sempre segundo a vontade diretiva de Deus, mas tudo dentro da vontade permissiva de Deus.

O fato de Deus conhecer a história antecipadamente e intervir sempre que necessário, como na queda do homem (Deus fez a propiciação pelo pecado de Adão e Eva), no dilúvio (para evitar a corrupção total da raça humana), na planície de Sinear, com a confusão das línguas (para dar um fim as rebeliões conduzidas por Ninrode[8]), na destruição de Sodoma, Gomorra e arredores (por causa do pecado grave), no Egito (para dar liberdade ao seu povo, Israel) e tantas outras no decorrer da história, de nenhuma maneira, essas intervenções afetaram o livre-arbítrio do homem[9]. As intervenções de Deus foram por causa das consequências das escolhas erradas que o homem fez. Este tem liberdade para fazer o que bem entende, e por ser intelectualmente capaz de avaliar as escolhas, é, portanto, responsável por suas consequências. Essa é a lei da semeadura e da colheita, as pessoas colhem o que plantam: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois tudo o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” (Gálatas 6.7,8). A lei da semeadura e da colheita existe para que possamos fazer as boas escolhas. 

Mas, mesmo fazendo a pior escolha possível, Deus não abandonou Adão, nem seus descendentes. Deus sabia que Adão falharia no teste por ele imposto, mas mesmo assim decidiu criar o homem e não retirou a sua graça, mesmo após o ato de rebeldia. O fracasso humano, foi a oportunidade para Deus escrever a mais linda história de amor que se tem notícia: a história do Pai que enviou o seu Filho para salvar a joia da sua criação. Uma história que, assim como um quebra-cabeça, Deus cuidou para que cada peça se encaixasse perfeitamente. 

Que Deus em Cristo vos abençoe.

NOTAS


[1] Merril Unger identifica o segundo céu como a habitação dos anjos e o terceiro céu, habitação do Deus Triuno. UNGER, M.; Dicionário Bíblico Unger. SBB – São Paulo, 2017, p. 236.

[2] Conforme Gênesis 1.1: “No princípio (tempo) Deus criou os céus (espaço) e a terra (matéria)”.

[3] GITT, W.; O tempo e a eternidade. Ed. Actual – Porto Alegre, 2014, p. 46.

[4] RYRYE, C.; Teologia Básica. Ed. Mundo Cristão – São Paulo, 2004, p.48.

[5] Transcrevo nota com explicação desse texto: “[...] Paulo aqui se refere ao fato que, na eternidade passada, Deus conhecia os que, pela fé, se tornariam o seu povo [...] a predestinação é para que se amoldassem moralmente ao seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Bíblia de estudos NVI p. 1934.

[6] ICE, T.; Jesus e o fim dos tempos. Ed. Actual – Porto Alegre, 2012, p.14.

[7] Grifo do autor.

[8] Ninrode (Rebelde) foi o fundador da primeira potência imperial da história humana. Rebelião religiosa: fundador da Babilônia, cidade descrita na Bíblia como um sistema religioso e moral perverso. Rebelião política: Deus ordenou que o povo se espalhasse e povoasse a terra. Ninrode procurou manter todos juntos.

[9] Possibilidade de decidir em função da própria vontade, sem qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante.


A confiabilidade das Escrituras

Por Marlon Vargas (DVG)

"Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom animo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança”. (Romanos 15.4)

 

Podemos Confiar Nas Escrituras?

Tudo o que sabemos a respeito do Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, a criação do mundo, a criação do homem, o princípio e o fim da história da humanidade, a consequente criação de um novo céu e uma nova terra no Estado Eterno, encontram-se registrados na Bíblia Sagrada.  Mas será que somente os registros da Bíblia são suficientes? Podemos confiar que tudo que nela está escrito não sofreu alterações nas mãos dos diversos copistas que se encarregaram de escrever os manuscritos ao longo dos séculos que passaram? Então, antes de comentarmos qualquer texto referente aos assuntos principais defendidos neste blog (Volta de Cristo, Criação e Dilúvio), precisamos responder esta pergunta. E a resposta é: Sim! Podemos confiar nas Escrituras, e cito aqui, dois versículos bíblicos que nos dão essa certeza: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16,17) e “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.20,21).

Desde que foi impressa, em 1455, a Bíblia tornou-se o maior best-seller da história. Uma pesquisa realizada em 1992[1], estima que foram vendidos mais de 6 bilhões de cópias da Bíblia nos últimos 200 anos, traduzida completamente para cerca de 450 línguas diferentes, e partes dela, para aproximadamente 2.000 línguas e dialetos. A Bíblia Sagrada, portanto, é também o livro mais traduzido de todos os tempos.

A Bíblia é composta por 66 livros, escritos por 40 autores diferentes em um período de cerca de 1500 anos. O Antigo Testamento, formado por 39 livros, foi escrito em épocas diferentes totalizando um período de 1000 anos (1450 a.C. – 435 a.C.) e está centrado na história anterior a Cristo, mas é rico em profecias que apontam para a vinda do Messias prometido. Não existem cópias originais do Antigo Testamento, o que temos são cópias das cópias dos textos originais. Mas isso não representa um problema. Em 1947, com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, foram encontrados em várias cavernas das colinas do deserto da Judéia cerca de 500 rolos, sendo que 175 deles são bíblicos, cópias de vários livros do Antigo Testamento[2], com exceção do livro de Ester. Entre esses pergaminhos, foi encontrado o “conhecido como o Rolo de Isaias de São Marcos, escrito em 17 folhas de pergaminhos unidos mediante costura em seus extremos, formando um rolo de 7,5 m de comprimento por 26 cm de altura. É o maior e mais bem conservado de todos os rolos. Foi escrito com caracteres quadrados primitivos, o que, segundo o dr. Albright, o situa no século II a.C[3]”. É o manuscrito hebraico mais antigo que qualquer outro livro da Bíblia. E o que mais impressiona é a fidelidade dos textos quando os livros de Isaías das duas fontes foram comparados, revelou-se que 95% dos textos eram idênticos (5% eram diferenças referentes a ortografia, gramática e caligrafia não afetando o sentido do texto)[4].

O Novo Testamento é composto por 27 livros escritos em um período de 55 anos aproximadamente, durante o século 1. O tema central de todos os livros: a pessoa de Jesus Cristo, o Messias.

Apesar do fato dos judeus se valerem muito da tradição oral para transmitirem seus ensinamentos, era necessário escrever os relatos sobre a vida de Jesus, o qual havia sido morto por crucificação, mas ressuscitou, e assim, cumpriu todas as profecias messiânicas do Antigo Testamento (sobretudo, devido ao crescimento da igreja). Paulo foi o primeiro a perceber essa necessidade e começou a transmitir esses ensinamentos através de cartas direcionadas as diversas igrejas já estabelecidas.

O que veremos a seguir, usando Paulo como exemplo, mostram como os ensinamentos sobre a vida e obra de Jesus (ou seja, sua natureza divina, seu ministério, sua morte pelos nossos pecados, sua ressurreição, o testemunho daqueles a quem ele  apareceu após a ressurreição e sua ascensão ao céu) já estavam difundidos entre seus seguidores, no começo da igreja logo após o Pentecostes e alguns anos antes dos quatro evangelhos serem escritos.

Paulo converteu-se ao cristianismo cerca de 2 anos[5] após a crucificação de Jesus, entrou em contato com muitos dos discípulos do Senhor, inclusive os apóstolos, e assim, recebeu diversos credos da igreja cristã mais antiga como explica o dr. Craig Blomberg, no livro “Em defesa de Cristo”: “[...] esses elementos remontam ao alvorecer da igreja pouco depois da ressurreição. Os credos mais famosos são os de Filipenses 2.6-11, que fala de Jesus tendo a mesma natureza de Deus, e Colossenses 1.15-20, em que Jesus é descrito como a “imagem do Deus invisível”, que criou todas as coisas e por meio de quem todas as coisas foram reconciliadas com Deus, “estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz”. Essas passagens sem dúvida são importantes porque mostram o tipo de crença que tinham os primeiros cristãos em relação a Jesus. Todavia, talvez o credo mais importante no que se refere ao Jesus histórico seja o de 1 Coríntios 15, em que Paulo usa uma linguagem técnica para indicar que estava transmitindo essa tradição oral de uma forma relativamente fixa[6]”. A seguir, a transcrição de 1 Coríntios 15, 3-7: “Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maiorias dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo”. Por que fiz questão de citar os textos acima? Para que possamos ver que os credos a respeito de Jesus se difundiram rapidamente e foram registrados em pouco menos de 20 anos após o ministério de Jesus, quando ainda vivam muitas das testemunhas oculares, diferentemente dos livros amplamente aceitos no mundo secular, que não tem a mesma quantidade  de cópias que o Novo Testamento têm, e na sua maioria, no caso as biografias, foram registradas séculos após os eventos acontecerem. Um exemplo prático, citado pelo dr. Craig Blomberg no livro Em defesa de Cristo, se refere as duas biografias mais antigas de Alexandre, o Grande, as quais foram escritas cerca de 400 anos após sua morte em 323 a.C.[7].

Estátua de mármore de
São Paulo

Entre 14 e 19 anos após sua conversão, Paulo escreveu a primeira das 13 cartas apostólicas[8] (a carta aos Hebreus, apesar de muitos historiadores como Eusébio, Orígenes e Atanásio a reconhecerem como escrita por Paulo, sua autoria permanece indefinida), dirigida a igreja de Tessalônica, no ano 51 d.C., data que a coloca antes ou pelo menos na mesma década em que Marcos escreveu o evangelho.

Já os evangelhos foram escritos por 4 autores que revelam a Pessoa de Jesus em aspectos diferentes: Mateus, apóstolo e testemunha ocular, escreve aquele que é considerado o “Evangelho do Rei dos Judeus”; Marcos, discípulo de Paulo e posteriormente de Pedro, sua fonte, é o autor do “Evangelho do grande Servo de Deus”; Lucas, o médico amado, pesquisou e escreveu o “Evangelho do Filho do Homem”, focando na humanidade de Cristo; e por fim, João, o discípulo amado, escreveu o “Evangelho do Filho de Deus”, no qual demonstra a divindade de Jesus.

Ainda compõem o Novo Testamento, Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas (como uma sequência do Evangelho de Lucas), as cartas de Pedro, João, Tiago, Judas e o Apocalipse.

Na tabela abaixo consta as datas aproximadas da época em que os evangelhos foram escritos[9] e a seguir os demais livros do Novo Testamento em sequência por data.

 

Tabela 1

EVANGELHOS

DATAS APROXIMADAS

Marcos

Opinião 1: fim da década de 50 e início da década de 60 d.C.

Opinião 2: entre 65-70

Mateus

Opinião 1: fim da década de 50 ou na década de 60 d.C.

Opinião 2: escrito em 70 d.C.

Lucas

Opinião 1: escrito em 59-63 d.C.

Opinião 2: escrito na década de 70 d.C.

João

Conceito tradicional: por volta de 85 d.C.

Conceito recente: entre a década de 50 e 70 d.C.

Tiago

Antes de 50 ou começo de 60 d.C.

1 e 2 Tessalonicenses

51 d.C.

Gálatas

51-52 , 53-57  ou a data recuada 48-49 d.C.

Filipenses

53-55, 57-59 ou a data mais provável 61 d.C.

1 Coríntios

55d.C.

Romanos

57 d.C.

Efésios, Colossenses e Filemon

60 d.C.

Atos

Data provável 63 d.C

1 Timóteo e Tito

63-65 d.C.

2 Timóteo

66-67 d.C.

1 Pedro

Entre 60 e 67 d.C.

Judas

65 d.C.

2 Pedro

65-68 d.C.

Hebreus

70 d.C.

1, 2 e 3 João

Entre 85-95 d.C.

Apocalipse

95 d.C.

 Com esse pequeno texto, podemos reafirmar com toda certeza: Sim, podemos confiar nas Escrituras pois ela é a Palavra de Deus.

 NOTAS


[1]  LAHAYE, T.; MINASIAN, D., Jesus. Editora Thomas Nelson Brasil – Rio de Janeiro, 2009, p. 23.

[2] Os judeus consideravam sagrados 22 livros que possuem exatamente os mesmos textos que dos 39 livros que temos em nosso Antigo Testamento, mas com divisões diferentes.

[3] Bíblia Thompson, Editora Vida – Rio de Janeiro, 2010, p.1826.

[5] A Bíblia Thompson (p. 1760) situa a conversão de Paulo no ano 37 d.C., ou seja, sete anos após a crucificação de Jesus. Lembrando que as datas são aproximadas.

[7] STROBEL, L., Em defesa de Cristo. Editora Vida – São Paulo, 2017, p. 41. NOTA DO AUTOR: O dr. Craig Blomberg, cita Ariano e Plutarco como autores. Arriano (Ariano) escreveu “Anábase de Alexandre”, na primeira metade do século 2, enquanto Plutarco escreveu “A vida de Alexandre” no final do século 1. A biografia mais bem escrita de Alexandre, o Grande, está contida no livro “Vidas Comparadas”, Editora Escala, do historiador grego Plutarco, que viveu no século 1. O historiador romano Diodoro Sículo (Sicília), que viveu no 1° século a.C. escreveu sobre Alexandre cerca de 200 anos após sua morte, mas sua obra, “A história Universal”, é considerada uma compilação de fontes mais antigas.

[8] Segundo nota na Bíblia de estudos NVI, p.2049, “1 Tessalonicenses é a carta canônica mais antiga de Paulo, a não ser que se aceite a data recuada (48-49?) de Gálatas.

[9] Bíblia de estudos NVI, Editora Vida – São Paulo, 2003. NOTA DO AUTOR: As datas foram retiradas das páginas introdutórias de cada livro, com exceção dos evangelhos sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas) p. 1609.


Por que de volta a Gênesis?

Por Marlon Vargas (DVG)

Para alguém que gosta do tema escatologia a pergunta que fica é: Por que o tema Gênesis, que trata das origens da Criação de Deus? Por que não tratar diretamente da Volta de Cristo que é o próximo evento no calendário bíblico? A resposta para essas perguntas é bem simples exatamente porque o que aconteceu em Gênesis está ligado ao que está acontecendo e irá acontecer nos tempos finais.

A Criação de Deus questionada

Um dos motivos de “voltarmos” a Gênesis foi motivado pelas palavras do Senhor Jesus ligando dois acontecimentos relatados em Gênesis aos sinais da Sua Vinda:

 “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.” (MT 24.37-39);

“Da mesma forma ocorreu nos dias de Ló. O povo dedicava-se a comer e beber, comprar e vender, plantar e construir. Todavia, no dia em que Ló abandonou Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu e destruiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se revelar.” (Lc 17. 28-30).

Outro motivo de “voltarmos” a Gênesis está relacionado a tríplice negação que caracterizaria estes últimos dias: a negação da Vinda de Jesus, principalmente por teólogos liberais; a negação da Criação, debate que começou a partir do século 20,  principalmente com o lançamento de dois livros que tiveram ampla aceitação no meio acadêmico [“A Origem das Espécies”, de 1859 e “Die Abstammung des Menschen”, de 1872, ambos de Charles Darwin[1]]; e a negação do dilúvio através de uma nova visão elaborada por Charles Lyell (o “Princípio da Uniformidade”) em 1830[2]. O apóstolo Pedro nos alerta sobre isso: “Antes de tudo saibam que, nos últimos dias, surgirão escarnecedores zombando e seguindo suas próprias paixões. Eles dirão: "O que houve com a promessa da sua vinda? Desde que os antepassados morreram, tudo continua como desde o princípio da criação". Mas eles deliberadamente se esquecem de que há muito tempo, pela palavra de Deus, existiam céus e terra, esta formada da água e pela água. E pela água o mundo daquele tempo foi submerso e destruído.” (2 Pe 3:3-6)

A Evolução, por outro lado,
é amplamente aceita

Os três temas estão presentes em Gênesis. A Vinda de Jesus é a primeira profecia da Bíblia proferida pelo próprio Deus: “E porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15); Profecia cumprida na primeira Vinda de Cristo registrados nos quatro evangelhos; a segunda Vinda de Cristo – a qual Pedro se referia – foi anunciada pela primeira vez em Gênesis por Enoque[3] :  “E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.” (Jd 1:14,15); o diluvio é registrado em três capítulos de Gênesis (6-8).

Portanto, saber o que aconteceu nos primeiros séculos da Criação é estar preparado para “responder a qualquer pessoa que vos questionar quanto à esperança que há em vós” (1 Pe 3.15b). e ao mesmo tempo estar alerta quanto a Vinda de Jesus, o que é sinal de vigilância, sabedoria. Em relação a isso, Cristo nos alerta seriamente dizendo “Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima [..] Vigiai em todo o tempo e orai para que sejais considerados dignos de escapar de todas essas coisas que acontecerão e de estar em pé diante do Filho do homem” (Lc21. 28,36).

O Senhor não nos deixou escrito o dia da Sua Vinda, mas nos alertou para prestamos atenção aos sinais que antecederiam a Sua Volta.

Por essa razão, “de volta a Gênesis”, chegou para a defesa da Criação, do Dilúvio global e anunciar a iminente Volta de Cristo, através de textos e desenhos. Queremos participar ajudando no que for preciso, para estarmos prontos para ouvir a voz do Senhor e irmos ao seu encontro nos ares (2Ts 4.13-17).

 

NOTAS

[1] LIEB, Roger: Estamos vivendo no fim dos tempos? 175 profecias bíblicas cumpridas – Porto Alegre: Actual Edições, 2012, p. 258.

[2] “Até o ano de 1800, a maioria dos geólogos acreditava que a história do Dilúvio, na Bíblia, tivesse um significado preponderante no contexto da explicação sobre a origem das camadas dos fósseis nelas encontrados. Em 1830, surgiu uma nova visão sobre as coisas. O advogado Charles Lyell (1797-1875) que também se envolveu com Geologia, descobriu uma rejeição interna à teoria do Dilúvio. Esse Dilúvio global pressupõe a existência de um Deus Santo que não deixa a culpa dos homens impune, mas está disposto a interromper o curso uniforme da história e intervir, diretamente, como o juiz. Essa ideia era inconcebível para Lyell. Por isso, ele elaborou o “Princípio da Uniformidade” que afirma que os ciclos da natureza foram uniformes. Diz que não aconteceram grandes catástrofes. Desde o início do mundo tudo ocorreu uniformemente. Exatamente esta é a argumentação dos escarnecedores em 2 Pedro 3.4b: “Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”. LIEB, Roger: Estamos vivendo no fim dos tempos? 175 profecias bíblicas cumpridas – Porto Alegre: Actual Edições, 2012, p. 256, 257.

[3] Enoque, o sétimo depois de Adão, nasceu no ano 622 e arrebatado para junto de Deus no ano 987 a.C. “A carreira de Enoque é de especial interesse. Ele foi um dos únicos dois homens na história, o outro sendo Elias, que foi arrebatado ao céu sem morrer. Em meio à corrupção e impiedade quase universal, Enoque deu um testemunho corajoso e consistente aos homens de sua geração e, como diz a Escritura, ele “foi trasladado para não ver a morte ... porque antes de sua transladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus” (Hb 11: 5). MORRIS M. Henry. The Beginning of the World, A Scientific Study of Genesis 1–11.